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segunda-feira, 5 de março de 2012

Cada louco com sua mania

       Como já havia previsto Andy Warhrol, todos terão seus quinze minutos de fama. Acho que estou vivendo os meus.


Na verdade, nem tanto, mas já começo a ser reconhecida como alguém que tem certo talento para escrever as coisas simples do cotidiano.


Ok, ok, ok. Tenho que reconhecer que os leitores deste blog são familiares, amigos de familiares, amigos e amigos dos amigos. Mesmo assim, confesso que estou bem vaidosa com o número de acesso ao blog desde que ele foi criado em dezembro último.


Só para tirar uma ondinha, observe a estatística abaixo:


Está certo que os números revelam que não é nada que dê para ter os meus direitos autorais vendidos e me tornar um grande sucesso de bilheteria, mas já me gabaritou para ouvir um “Aí, Bia... Isso dá uma boa crônica”. Portanto, o que escrevo a seguir, é a entrega da minha primeira encomendada literária.

Como este texto pretende ser uma crônica séria, achei por bem levantar dados empíricos e investir na leitura sobre tema. E assim, depois de vasta pesquisa bibliográfica (minidicionário Aurélio), chego ao conceito:

ma.ni.a sf.
1. Síndrome mental caracterizada por excitação psíquica, insônia, muita atividade, etc., e, em certos casos, agitação motora. 2. Esquisitice, excentricidade. 3. Gosto exagerado por algo. 4. Ideia fixa doentia; obsessão. 5. cacoete

Já as entrevistas que realizei através de uma rede social às duas da madrugada de um domingo revelam dados surpreendentes quanto à diversidade de estranhezas e esquisitices praticadas por seres humanos próximos a mim. Na lista que segue abaixo, estão contidas algumas destas manias colhidas nas entrevistas. Elas estão agrupadas em categorias usadas no conceito acima. Vamos às elas:

1.   Síndrome mental caracterizada por excitação psíquica, insônia, muita atividade, etc., e, em certos casos, agitação motora:
- Roer unhas;
- Abrir a geladeira para refrescar as ideias;
- Só conseguir dormir com o barulhinho do ventilador ligado;
- Cantar no chuveiro;
- Sacudir as pernas freneticamente;
- Marcar as horas que você acordou durante a madrugada e fazer relatório sobre isso com alguém;
- Arrancar seus próprios fios de cabelos “toinhonhons” para alisá-los;
- Futucar a palma da mão com a unha até conseguir arrancar um pedaço de pele;
- Ficar enrolando uma mecha de cabelos nos dedos durante horas.

2. Esquisitice, excentricidade: 
- Sempre, eu disse SEMPRE, deixar um restinho de leite, de suco, de água ou de qualquer líquido no copo/xícara;
- Colecionar frascos de shampoo, condicionar, perfume, loções hidrantes, etc. Usar vários ao mesmo tempo para não se livrar das antigas;
- Não pisar na linha de divisão das calçadas nas ruas;
- Lamber o ombro e a clavícula e depois assoprar;
- Dormir de meia, mesmo no calor infernal do verão carioca;
- Se cobrir todo, mas deixar os pés de fora.

3. Gosto exagerado por algo:
- Jessica Alba;
- Comprar canetas, sapatos, bolsas, caixas, etc.;
- Falar mal da vida alheia;
- Ler absolutamente tudo que está ao alcance dos seus olhos: bulas de remédio, placas de carro, dizeres rabiscados em porta de banheiros públicos.

4. Ideia fixa doentia; obsessão;
- Olhar embaixo das camas e atrás das portas para se certificar que não há ninguém ali;
- Sempre verificar se a porta esta fechada;

5. Cacoete
Esta categoria merece alguns parágrafos.

Estava eu numa festa conversando tranquilamente e, sem mais, nem por que, a minha interlocutora leva “um bote”.

Bote é o nome que damos a uma mania que um velho conhecido meu tem de passar as costas de sua mão direita na boca de outra pessoa. Não entendeu? Pena que não dá para desenhar! Mas é isso (tente visualizar): você está parado, tranquilo, desarmado e vem alguém e passa as costas das mãos em sua boca. Simples assim.

Tal como um serial killer, o tal maníaco escolhe as vitimas a partir de uma anatomia facial que combine lábios levemente espessos com um nariz levemente arrebitado. Algo mais ou menos assim:


Poderia ser considerada uma tara caso o autor dos botes fizesse isso secretamente. Mas não, ele faz questão de agir publicamente e ri-se todo comemorando o seu sucesso, divertindo a todos, inclusive a própria vítima. O mais absurdo é a cara de satisfação dele após cada bote. Num mesmo dia, presenciei três botes em três pessoas diferentes. Foi uma das vítimas quem sugeriu que eu escrevesse esta crônica.

Manias, tiques, cacoetes, pequenas obsessões todos nós temos. Se elas não atrapalham a sua vida e não ferem ninguém, não há porque se desesperar. Relaxe, você não é um louco e se for, cuide-se, mas lembre-se, “de perto, ninguém e normal”. Na verdade "mais louco é quem me diz que não é feliz".