Na verdade, nem tanto, mas já começo a ser reconhecida como alguém que tem certo talento para escrever as coisas simples do cotidiano.
Ok, ok, ok. Tenho que reconhecer que os leitores deste blog são familiares, amigos de familiares, amigos e amigos dos amigos. Mesmo assim, confesso que estou bem vaidosa com o número de acesso ao blog desde que ele foi criado em dezembro último.
Só para tirar uma ondinha, observe a estatística abaixo:
Está certo que os números
revelam que não é nada que dê para ter os meus direitos autorais vendidos e me
tornar um grande sucesso de bilheteria, mas já me gabaritou para ouvir um “Aí,
Bia... Isso dá uma boa crônica”. Portanto, o que escrevo a seguir, é a entrega
da minha primeira encomendada literária.
Como este texto
pretende ser uma crônica séria, achei por bem levantar dados empíricos e investir
na leitura sobre tema. E assim, depois de vasta pesquisa bibliográfica (minidicionário Aurélio), chego ao conceito:
ma.ni.a sf.
1. Síndrome mental caracterizada por excitação
psíquica, insônia, muita atividade, etc., e, em certos casos, agitação motora. 2. Esquisitice, excentricidade. 3. Gosto exagerado por algo. 4. Ideia fixa doentia; obsessão. 5. cacoete
Já as
entrevistas que realizei através de uma rede social às duas da madrugada de um
domingo revelam dados surpreendentes quanto à diversidade de estranhezas e
esquisitices praticadas por seres humanos próximos a mim. Na lista que segue
abaixo, estão contidas algumas destas manias colhidas nas entrevistas. Elas
estão agrupadas em categorias usadas no conceito acima. Vamos às elas:
1.
Síndrome mental caracterizada por excitação
psíquica, insônia, muita atividade, etc., e, em certos casos, agitação motora:
- Roer
unhas;
- Abrir
a geladeira para refrescar as ideias;
- Só
conseguir dormir com o barulhinho do ventilador ligado;
- Cantar
no chuveiro;
- Sacudir
as pernas freneticamente;
- Marcar
as horas que você acordou durante a madrugada e fazer relatório sobre isso com alguém;
- Arrancar
seus próprios fios de cabelos “toinhonhons” para alisá-los;
- Futucar
a palma da mão com a unha até conseguir arrancar um pedaço de pele;
- Ficar
enrolando uma mecha de cabelos nos dedos durante horas.
2. Esquisitice, excentricidade:
- Sempre,
eu disse SEMPRE, deixar um restinho de leite, de suco, de água ou de qualquer líquido
no copo/xícara;
- Colecionar frascos de shampoo, condicionar, perfume, loções hidrantes, etc. Usar vários ao mesmo tempo para não se livrar das antigas;
- Colecionar frascos de shampoo, condicionar, perfume, loções hidrantes, etc. Usar vários ao mesmo tempo para não se livrar das antigas;
- Não
pisar na linha de divisão das calçadas nas ruas;
- Lamber
o ombro e a clavícula e depois assoprar;
- Dormir
de meia, mesmo no calor infernal do verão carioca;
- Se
cobrir todo, mas deixar os pés de fora.
3. Gosto exagerado por algo:
- Jessica Alba;
- Comprar
canetas, sapatos, bolsas, caixas, etc.;
- Falar
mal da vida alheia;
- Ler
absolutamente tudo que está ao alcance dos seus olhos: bulas de remédio, placas
de carro, dizeres rabiscados em porta de banheiros públicos.
4. Ideia fixa
doentia; obsessão;
- Olhar
embaixo das camas e atrás das portas para se certificar que não há ninguém ali;
- Sempre verificar se a porta esta
fechada;
5. Cacoete
Esta
categoria merece alguns parágrafos.
Estava eu
numa festa conversando tranquilamente e, sem mais, nem por que, a minha
interlocutora leva “um bote”.
Bote é o
nome que damos a uma mania que um velho conhecido meu tem de passar as costas
de sua mão direita na boca de outra pessoa. Não entendeu? Pena que não dá para
desenhar! Mas é isso (tente visualizar): você está parado, tranquilo, desarmado
e vem alguém e passa as costas das mãos em sua boca. Simples assim.
Tal como um serial killer, o tal maníaco escolhe as
vitimas a partir de uma anatomia facial que combine lábios levemente espessos
com um nariz levemente arrebitado. Algo mais ou menos assim:
Poderia ser considerada uma tara caso
o autor dos botes fizesse isso secretamente. Mas não, ele faz questão de agir
publicamente e ri-se todo comemorando o seu sucesso, divertindo a todos, inclusive
a própria vítima. O mais absurdo é a cara de satisfação dele após cada bote. Num
mesmo dia, presenciei três botes em três pessoas diferentes. Foi uma das
vítimas quem sugeriu que eu escrevesse esta crônica.
Manias,
tiques, cacoetes, pequenas obsessões todos nós temos. Se elas não atrapalham a
sua vida e não ferem ninguém, não há porque se desesperar. Relaxe, você não é
um louco e se for, cuide-se, mas lembre-se, “de perto, ninguém e normal”. Na verdade "mais louco é quem me diz que não é feliz".








